28 de outubro de 2024

Monte da Cachamorra, Castro Verde.


Cachamorra

Nas serras e nos campos sem fim do interior, onde o vento sopra sem pedir licença e o horizonte se mede pelo passo do gado, o pastor e a sua Cachamorra são uma figura só. Mais do que um mero instrumento de trabalho, esta vara de madeira — quase sempre arrancada do tronco resistente de uma oliveira e esculpida pacientemente pelas mãos calejadas de quem a carrega — é a companheira inseparável da vida no campo.

É na imensidão aberta das pastagens que o tempo ganha outra dimensão. Nas longas horas em que o sol custa a mover-se no céu, o pastor senta-se num cabeço a vigiar a paisagem, puxa da navalha e molda a madeira, dando-lhe a forma e o peso exactos do seu intento. Cada sulco entalhado guarda uma intenção, e a fisionomia final do objecto nunca é fruto do acaso. A configuração da Cachamorra, com a sua extremidade mais robusta e nodosa, muda consoante o tipo de gado que percorre o campo: o peso necessário para guiar a força de um rebanho vacum não é o mesmo exigido para adestrar a agilidade das cabras nas escarpas, nem para orientar a serenidade das ovelhas no vale. Daí nascerem designações próprias para cada formato, nomes antigos que só quem conhece a lida do campo sabe pronunciar e reconhecer.

Mais do que apoiar os passos cansados nos caminhos pedregosos ou servir de aviso ao gado mais rebelde, a Cachamorra é a guardiã do pastor na solidão do campo. É o único escudo contra os perigos que espreitam na vegetação e os sobressaltos da bicharada. Cada marca na sua oliveira polida pelo uso conta uma história de pastoreio, de comunhão com a terra e de sabedoria ancestral, mantendo viva uma arte tradicional onde a utilidade e a vida no campo se fundem num único pedaço de madeira esculpido à mão.







Eucalipto de Cobres



Ribeira de Cobres

Campo Branco


A Cachamorra está associada ao ofício de pastor. Trata-se de uma vara de madeira, geralmente de oliveira esculpida pelo próprio pastor, que lhe dava a forma desejada. Dependendo da sua configuração e do tipo de gado que o pastor guardava assim era a designação do objecto.

 
Castro Verde 

Fotografias Zito Colaço

5 de junho de 2024

Javalis na Mata dos Medos. Bem Hajam.


 No dia Mundial do Ambiente, ontem 5 de Junho, tive um encontro imediato com um Javali na Mata dos Medos. Foi uma sensação única, de beleza e medo, que poucas pessoas talvez já sentiram... Um grande sinal para mim e para toda esta área protegida que tanto precisa.

Bem hajam.

21 de março de 2024

Feliz dia Mundial da Árvore e das Florestas


 Feliz dia Mundial da Árvore e das Florestas

ÁRVORES DO AMOR

Grandes, pequenas, formosas, circunspectas, imponentes ou frágeis. Dão, sem pedir nada. E são, simplesmente. Respiram, respiram-nos e fazem respirar. Amam, amam-nos e fazem-nos amar. Conta-se que um jovem cavaleiro cansado de travar batalhas infindáveis e de desfecho previsível refugiava-se na floresta. As árvores ouviam-no pacientemente e um dia decidiram falar-lhe. Amai-vos uns aos Outros Como Nós Vos Amamos. Tomado de assalto pela revelação, o cavaleiro decidiu ali mesmo abandonar a carreira militar e dedicar-se a uma vida nova de aprendizagem com aquelas árvores sagradas. Estamos certos de que todos teremos muito a aprender com o mistério das Árvores do Amor. A nossa mensagem também é simples. Amar-vores uns aos Outros Como Elas vos Amam. Parece fácil. E é.

Texto Nuno Costa
Fotografias Zito Colaço

20 anos

17 de março de 2024

Oração aos Antepassados

Oração aos Antepassados 

"Gratidão queridos pais, avós e demais ancestrais por terem tecido o meu caminho, imensa gratidão pela imensidão dos seus sonhos que, de alguma forma, são hoje a minha realidade.

A partir deste ponto e com muito amor, dou luz à tristeza que houve nas gerações passadas, dou luz à raiva, às partidas prematuras, aos nomes não ditos, aos destinos trágicos.

Dou luz à flecha que cortou caminhos e tornou a calçada mais fácil para nós.

Dou luz à alegria, às histórias repetidas várias vezes.

Dou luz ao não dito e aos segredos de família.

Dou luz às histórias de violência e ruptura entre casais, pais e filhos e entre irmãos e que seja o tempo e o amor que volte a unir.

Dou luz a todas as memórias de limitação e pobreza, a todas as crenças desestruturantes e negativas que permeiam o meu sistema familiar.

Aqui e agora semeio uma nova esperança, alegria, união, prosperidade, entrega, equilíbrio, ousadia, fé, força, superação, amor, amor e amor.

Que todas as gerações passadas e futuras sejam agora, neste instante cobertas com um arco-íris de luzes que curam e restauram o corpo, a alma e todos os relacionamentos.

Que a força e a bênção de cada geração alcance sempre e inunde a geração seguinte.

Assim seja. Assim é!"

 Bert Hellinger








 Monte Velho, Castro Verde

 


A casa onde o meu avô António Luis Colaço nasceu.




 Monte Velho, Castro Verde

Fotografias Zito Colaço